
Blog, Pitang.

Ricardo Peters
O Futuro do Trabalho
Transformação Digital
Não sou futurista. Entendo pouco disso. Por isso fui buscar inspiração em Jacob Morgan, que já sigo há algum tempo. Segundo o Jacob, em seu livro “The Future Leader” somente na última década:
Líderes estavam obcecados com o preço das ações.
Esforços de inclusão e diversidade estavam apenas começando.
Inteligência artificial não era tão avançada ou mutável quanto hoje.
Hierarquia era desafiada, mas não no grau que vemos hoje.
Social Media estava apenas começando.
Você não ouvia a frase “Employee Experience”.
Propósito e Impacto eram conceitos para dar risada.
A força de trabalho não era distribuída e diversa como hoje.
Espaço de trabalho era um cubículo tradicional.
Em seu livro, Jacob entrevistou mais de 140 CEOs de empresas em diversos segmentos sobre o futuro da liderança e compartilha seis tendências que estão moldando o futuro da liderança:
Inteligência Artificial e Tecnologia
Considerando a liderança com duas grandes responsabilidades, a de tomar decisões e conduzir as pessoas na direção dessas decisões, IA está e continuará refinando os dados que possibilitam melhorar a assertividade dessas decisões. Maus gerentes, explica, focam apenas na responsabilidade relacionada à tomada de decisão. Esses terão seu valor reduzido, restando aos líderes direcionar seu foco para o lado humano da liderança, ou seja, motivar, inspirar, engajar e ser coach de seus liderados.
Ritmo da Mudança
Adorei a frase do entrevistado David Henshall, CEO da Citrix. Ele fala sobre a intensidade da mudança para os próximos anos e como isso será refletido na forma como as pessoas e empresas se organizam dizendo:
“A única forma de ser bem-sucedido nesse mundo é desafiando o status quo.”
Associada à constatação de que 85% dos trabalhos em 2030 ainda não foram inventados (Dell. “Realizing 2030: A Divided Vision of the Future.” 2017.) O ritmo acelerado da mudança muda o foco da liderança para entender o está por ajudar as pessoas a se adaptar ao novo paradigma, constantemente.
Para mim, isso fecha o entendimento de que desenhar e rodar experimentos constantemente é uma prática essencial.
Novo cenário de talentos:
Há escassez de talentos para compor a força de trabalho. Também existem lacunas nas habilidades da força de trabalho disponível. O caso para formação e desenvolvimento de novas habilidades dentro da empresa está mais forte. Investir em manter os talentos disponíveis e experientes em uma capacidade consultiva e permitir que programas de treinamento ganhem de fato espaço para serem constantes e contínuos é essencial. Jacob também recomenda o investimento em diversidade e inclusão.
Propósito e significado: É isso:
Moralidade, ética e transparência:
É um desafio trabalhar na era da opacidade. As sugestões neste tópico são a de encontrar sua bússola moral, comunicar (de forma excessiva e intencional) o que é a coisa certa a ser feita, além de considerar e refletir continuamente em como você pode ser mais transparente enquanto líder.
Globalização:
Há muito o que aprender de outras culturas. Jacob sugere atenção à macrotendências globais e à importância de adquirir experiência liderando em outras partes do mundo.
Você deve ter notado que o tópico era sobre o futuro do trabalho, mas o enfoque foi sobre o futuro da liderança. Isso é porque o futuro do trabalho é moldado pelos líderes do futuro.
Vivemos tempos curiosos, onde um vírus está acelerando tendências em proporções antes não imaginadas. Enquanto home-office era coisa de empresa disruptiva, vanguardista, ousada, agora, em menos de 60 dias, é fato consumado, da maneira mais dolorosa possível.
Treinamento online, antes percebido como de baixa qualidade, fácil e incompleto por perder muito da interação entre as pessoas, agora, "é o que tem para hoje", e as pessoas estão descobrindo que quem já estava pronto nessa arena, tem muito a oferecer e que as desvantagens apontadas acima são mera falácia.
Ainda assim, vemos em grande parte a cultura do improviso na quantidade de experts em treinamento online que migraram rapidamente seu conteúdo. A reatividade, agora, é onerosa. O tempo de discovery & exploration nessa área já passou e foi antes da pandemia. Agora é exploração para quem ousava se aventurar no passado de incertezas.
O trabalho remoto
Por fim, vivemos o advento do trabalho remoto: pessoas estão descobrindo ferramentas de videoconferência e colaboração estupefatas com as possibilidades que a tecnologia oferece; por sorte, isso não é novidade na minha área, e tem sido o nosso dia-a-dia há alguns anos.
Esses são apenas alguns exemplos para endereçar a minha conclusão: escritórios (como nós os conhecemos), não vão mais existir, serão menores, espaços colaborativos, mais do que “baias”, essas pequenas ilhas de isolamento e propriedade.
Trabalho remoto, agora equivalerá a algo próximo dos 80% ao invés de ser os 20%, e mais, você que enfrenta o desemprego, pode agora trabalhar para uma empresa do outro lado do mundo, a partir de sua casa ou de um espaço de coworking. Não quero dizer que isso não era possível, mas eram os 20%.
E finalmente: que saudade hein? Que saudade de passar de duas a três horas diárias no engarrafamento, e chegar em casa para encontrar os filhos dormindo… trabalhar até mais tarde porque tem menos pessoas e interrupções e, ainda, porque só iria gastar mais combustível e se estressar no trânsito; melhor era ficar trabalhando, era mais produtivo. Jovens, o futuro do trabalho, agora é passado.



