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Diogo Monteiro
Como um Product Owner eficaz pode se portar diante dos desafios do mercado de produtos digitais?
Agilidade
O papel do Product Owner
Os profissionais que trabalham com desenvolvimento de produtos, principalmente os digitais, quase sempre se questionam sobre a existência de manuais e posturas para os que assumem o papel de Product Owner dentro de um projeto ágil.
No Scrum Guide, descreve-se pouco sobre o papel do PO, detalhando apenas a sua atuação durante a execução do framework. Entretanto, sabemos que o mercado de desenvolvimento de produtos digitais exige uma grande escala de atuação desse papel, principalmente atuando em processos de discovery, confundindo alguns profissionais sobre qual seria a melhor postura a se adotar em cada desafio.
O guia do Scrum descreve o Product Owner como: o papel responsável por maximizar o valor do produto resultante do trabalho do Scrum Team. A forma como isso é feito pode variar amplamente entre organizações, Scrum Teams e indivíduos. Talvez o problema seja a expressão “variar amplamente”, pois pode causar uma certa “angústia” não saber o que se espera de um PO no dia a dia de um projeto ágil.
Um ponto que o guia chama a atenção é que o PO é uma pessoa, não um comitê e que só deve existir um por produto. Mas, o que se observa no mercado são algumas disfunções causadas por um entendimento limitado desse papel.
Atuação do Product Owner nas áreas Tática e Estratégica
Para começarmos a melhorar este entendimento, precisamos explorar um pouco mais a relação da disciplina de Gestão de Produtos com o mundo dos métodos e frameworks ágeis, pois geralmente se observa bastante a atuação do PO na área Tática da Gestão de Produtos e pouco se observa à sua atuação na área Estratégica.
Atuação do P.O na área Tática:
Colaboração com o Time Ágil;
Gerenciamento do Backlog do produto;
Gerenciamento dos Stakeholders;
Refinamento;
Alinhamento do que precisa ser feito.
Atuação do P.O na área Estratégica:
A atuação do PO na área Tática é importante e não deve ser negligenciada. Entretanto, à medida que esse profissional avança no conhecimento da Gestão de Produtos, ele deve entender que o seu “olhar” deve contemplar também a área mais Estratégica, como:
Marketing e Vendas;
Estratégia de lançamento;
Visão do Produto;
Ciclo de Vida de um Produto;
Leis que podem interferir no seu produto e no mercado;
Parcerias;
Business Case;
Retenção de Clientes;
TCO (Total Cost of Ownership);
Receita e Despesa.
Posturas Questionáveis de um Product Owner
Diante de todos esses conhecimentos e responsabilidades citados, descreveremos, de forma prática, quais posturas os POs devem adotar para sua melhor atuação e sucesso nos projetos ágeis e quais eles devem evitar no seu dia a dia.
O Garçom: apenas repassa as informações. Recebe de uma das partes interessadas e coloca todos os seus desejos/demandas no backlog;
O Escritor: praticamente só escreve histórias de usuários. Se parece muito com um analista de negócios, anota muitos detalhes, requisitos, critérios de aceitação, etc;
O Gerente: é a pessoa responsável por cuidar do time. O gestor se preocupa com a felicidade do time, o desenvolvimento pessoal e aprendizado de novas habilidades. Embora muito importante, essa deve ser a principal preocupação de um Product Owner?
O Gerente de Projetos: está focado na melhor utilização de recursos e gestão do plano de desenvolvimento;
O Especialista: normalmente é um super usuário. Essa pessoa tem muita experiência operando o produto/serviço. Conhece todos os detalhes, sabe exatamente como o produto funciona, o que você pode e não pode fazer;
O Porteiro: é o único ponto de contato entre o Time Scrum e o mundo exterior. Ele bloqueia todas as conexões entre Desenvolvedores e Stakeholders. Tudo passa por ele.
Posturas de Sucesso de um Product Owner
O Visionário: está concentrado em apresentar a visão do produto, o estado futuro, possibilidades, objetivos e oportunidades.
O Colaborador: busca a colaboração com os stakeholders e o Time Scrum. Sendo um colaborador, você busca contribuições, ideias, opiniões e feedbacks de outras pessoas;
O Representante do cliente: está concentrado em realmente entender os problemas, dores e oportunidades. Trata-se de se colocar no mundo do cliente e entender suas necessidades;
O Tomador de decisões: está focado em fazer escolhas. Saber dizer não. Quais itens adicionar ao Product Backlog? Qual é o próximo grande objetivo? Quais clientes agradar e quais não;
O Experimentador: está focado em inovação e experimentos. Mas também pensa em hipóteses, testes, aprendizados e dados. O experimentador não trata apenas de adicionar coisas novas, mas também de validação;
O Influenciador: está concentrado em influenciar as partes interessadas, clientes e Time Scrum, para avançar na direção certa. Influenciar as pessoas e mudar suas mentes.
A melhora contínua do trabalho do Product Owner
Apesar de muitos profissionais se identificarem com a parte de posturas questionáveis em algum grau, a ideia não é estabelecer uma verdade absoluta sobre como o PO deve atuar, e sim, oferecer uma alternativa prática para avaliarem sua atuação e melhorem continuamente diante de um mercado tão competitivo e complexo.
Por fim, devemos entender que um PO eficaz, à medida que evolui, deve consumir mais conhecimentos em áreas Estratégicas da Gestão de Produtos, assim como aplica seus conhecimentos nas áreas Táticas, entregando mais valor para o cliente e o mercado, melhorando sua capacidade de maximizar o Retorno sobre o Investimento (ROI).
E você? Se identifica com alguns desses perfis? Sabe por onde começar sua evolução de uma postura questionável para uma postura de sucesso?




