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Como o Design Thinking ajudou a transformar a gestão de pessoas no TCE-PE

Blog, Pitang.

Yuri Tavares

Como o Design Thinking ajudou a transformar a gestão de pessoas no TCE-PE

Gestão de Processos

Apresentado na 26ª Conferência Internacional em Governo Digital (DG.O 2025), o artigo “Application of Design Thinking in Digital Transformation in Human Resources in the Public Sector” revela como a adoção de uma abordagem centrada no usuário contribuiu para a transformação digital da área de Recursos Humanos do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE).  


O estudo nasceu a partir da pesquisa de mestrado do colaborador da Pitang, Iury Tavares, desenvolvida com orientação do professore Marcelo Marinho (UFRPE), coorientação de George Valença (Coordenador do Convenio, UFRPE) e Robson Medeiros (Coordenador Célula de pesquisa, UFRPE). Também assina o artigo a pesquisadora Uilca Cardoso, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). 


A pesquisa traz um olhar aprofundado sobre como práticas tradicionais no setor público podem ser revistas por meio da escuta ativa, da colaboração entre equipes e da experimentação contínua, que são pilares do Design Thinking aplicados ao contexto da gestão de pessoas. 

Um desafio comum: burocracia, retrabalho e insatisfação 


No TCE-PE, como em muitos órgãos públicos, o processo de solicitação e gestão de férias enfrentava gargalos importantes: muitos passos, assinaturas exigidas, ausência de integração com o calendário funcional, falhas de comunicação interna e inconsistências nos registros. 


Esses problemas resultavam em retrabalho frequente, atrasos, pagamentos incorretos e acúmulo indevido de férias, o que gerava não apenas riscos trabalhistas e impactos administrativos, mas também frustração entre servidores, gestores e o próprio RH. 


O estudo parte desse cenário concreto, com a intenção de compreender profundamente os pontos de dor da instituição e buscar soluções práticas e viáveis. 

O processo de escuta e diagnóstico 


A equipe de pesquisadores utilizou uma metodologia de estudo de caso, coletando dados qualitativos e quantitativos através de entrevistas com gestores da área do departamento de gestão de pessoas e um questionário aplicado a profissionais do tribunal. As entrevistas, realizadas ao longo de oito meses, foram essenciais para identificar as principais dores no processo e as prioridades segundo a vivência dos envolvidos. 


 Além disso, foi feito um mapeamento dos stakeholders, com a criação de mapas de empatia e personas para representar os diferentes perfis de usuários do sistema de férias: servidores, gestores de equipe e profissionais do RH. 


Esses artefatos revelaram uma realidade compartilhada: a rigidez dos processos impactava diretamente a experiência dos usuários, tornando o sistema pouco amigável, sujeito a erros e com baixa capacidade de resposta às necessidades reais da organização. 

A aplicação prática do Design Thinking 


Com base nesse diagnóstico, a equipe conduziu oficinas de ideação com os participantes para levantar propostas de solução. As ideias geradas foram avaliadas a partir de uma matriz de viabilidade e expectativa dos usuários. 


A partir daí, foram desenvolvidos protótipos de baixa e alta fidelidade, inspirados em ferramentas já familiares aos usuários (como o Google Calendar), com o objetivo de tornar a interface mais intuitiva e integrada ao dia a dia da equipe. 


Esses protótipos foram testados com os usuários em ambientes simulados, o que permitiu identificar falhas, receber feedbacks e refinar a solução iterativamente. 


Com a validação dos testes, o projeto foi encaminhado à fábrica de software para o desenvolvimento da aplicação final, com atenção especial à capacitação dos colaboradores e à incorporação da nova solução nos fluxos já existentes. 

Resultados: mais clareza, mais agilidade, menos retrabalho 


A principal entrega do projeto foi um novo sistema de gestão de férias, mais transparente, automatizado e alinhado com as necessidades dos diferentes usuários. A solução desenvolvida permitiu: 

  • Redução do número de etapas e assinaturas no processo;  

  • Integração com o calendário funcional, evitando cálculos equivocados;  

  • Eliminação de retrabalho causado por inconsistências nos registros;  

  • Maior visibilidade e previsibilidade para gestores e colaboradores;  

  • Adesão mais simples às regras da instituição, graças à clareza das informações. 


O novo modelo não apenas trouxe ganhos operacionais, mas também contribuiu para uma cultura organizacional mais aberta à escuta e à participação ativa dos servidores na construção de soluções.

Um modelo replicável para outros órgãos públicos 


Um dos maiores méritos desse estudo é sua capacidade de inspirar outras instituições públicas que enfrentam desafios semelhantes. A metodologia utilizada, centrada no usuário, iterativa e colaborativa, pode ser aplicada a diferentes contextos da administração pública, especialmente em áreas onde processos internos impactam diretamente a qualidade do serviço prestado à sociedade. 


Mais do que uma mudança tecnológica, a experiência vivida no TCE-PE mostra que é possível transformar a gestão pública com empatia, escuta ativa e foco nas pessoas. 


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